REVISTA GUAIAÓ
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Guaiaó – Santos revista

Por Marcos Piffer

“Amar e criar a beleza são as condições elementares da felicidade. Uma época que não o almeja permanece imatura visualmente; sua imagem é disforme e suas manifestações artísticas não são capazes de elevar-nos” .
Walter Gropius in “Bauhaus: Novarquitetura”

Em tempo: Guaiaó é o nome original da Ilha de São Vicente, que compreende as cidades de Santos e São Vicente, conforme consta já na escritura das primeiras terras doadas a Pero de Góis, em 1532. A tradução da palavra é controversa. No “Dicionário de palavras de origem indígena”, de Clóvis Chiaradia, Guaiaó significa ‘a casa do caranguejo’ - guaiá: caranguejo, ó: casa. O historiador Francisco Martins dos Santos, em sua obra “História de Santos”, indica que Gohayó é corruptela de Gu-ai-og-gu: recíproco, ai: despegar, abrir, separar, og: cortar, arrancar, sendo que os verbos ai e og aparecem unidos como expressão de ‘separação por força’. O termo refere a ter sido a ilha separada do continente pela força e pressão das águas ou por algum fenômeno sísmico que teria ocorrido muitos séculos antes. O mesmo autor, em outro trecho da obra, revê este conceito e afirma que a palavra vem do hebraico -gua: região, centro, meio, hi: ela, hó: merenda, repasto, graça, benefício. Inicialmente guahihó ou goáhihó (guayhó e goahihó) com o significado de ‘ilha ou lugar do fornecimento, das provisões, das vitualhas’ e, portanto, do apoio às armadas e aos viajantes.

 

Pré-sal, expansão do Porto, boom da construção civil. A cidade de Santos transforma-se rapidamente nesta segunda década do Século XXI, e mesmo neste momento de aparente renascimento econômico, depois de décadas de estagnação, publicações destinadas à área da cultura permanecem absolutamente raras. Onde ler um texto do escritor Edson Amâncio, sem ter que esperar anos até que ele publique um novo livro? Onde encontrar um ensaio livre sobre cinema do pensador Flávio Viegas Amoreira? Ou um espaço que fale dos achados da gastronomia da região de uma maneira leve e despretensiosa? E o que dizer da nossa história, perdida por entre locais esquecidos e relegados a uma cultura de consumo?

A lista é grande de produções artísticas, interesses e informações que não encontram espaço na grande mídia. E maior ainda é a relação de artistas, pensadores, escritores, fotógrafos, gravuristas, jornalistas que aqui produzem, ou que aqui se inspiram para criar os seus trabalhos e não encontram um espaço para veiculação à altura dos seus trabalhos. Além do trabalho em si de cada um, precisamos saber quem são, o que pensam e como produzem estas pessoas. Criar um ambiente para veicular o fazer da arte.

A partir desta idéia brotou a Guaiaó. O anseio de editar uma revista vem de longa data. Da vontade de publicar novas maneiras de ver a cidade pela fotografia, ensaios até hoje inéditos, e de unir estas imagens com textos. E os amigos artistas e pensadores atenderam prontamente ao chamado. Convergência de idéias e de sentimentos. Das aulas na FAUS junto com o artista Paulo von Poser, surgiu o projeto gráfico e a sua participação na ilustração dos textos de ficção. Das longas conversas com o amigo Søren Knudsen sobre aventuras e heróis solitários, a idéia da história central. Do convívio com a Gisela Kodja, o perfil e a entrevista, para contar as vidas raras de pessoas comuns. Do prazer pela música e pelo esporte, os convites ao Julinho Bittencourt e ao Torero. A lista continua com o Gino Caldatto e o Marcos Denari, também amigos de longa data, e todos participantes desde a primeira hora. Além da participação mais do que especial do Ucho Carvalho neste primeiro número.

E as portas estarão sempre abertas a muitos outros que virão fazer parte desta empreita. A Guaiaó nasce dando significativa importância à imagem, minha origem, mas busca um grande equilíbrio com o texto em si. Estrutura-se principalmente no fazer artístico da região e na busca da beleza através da arte. Mas, tão importante quanto, mantém um pé firme na reflexão da nossa cidade e região. As questões urbanísticas, ambientais e sociais estarão lado a lado das artísticas, ou surgirão através delas, pois também carecem de espaço para o debate. E o momento é mais que propício, sob o risco iminente de deixar de existir aquela cidade que gostaríamos para as futuras gerações, e permanecer outra, perdida entre a falta de planejamento, que despreza seu patrimônio, seus artistas e sua criação. Inculta e nem um pouco bela.

Em tempo: Guaiaó é o nome original da Ilha de São Vicente, que compreende as cidades de Santos e São Vicente, conforme consta já na escritura das primeiras terras doadas a Pero de Góis, em 1532. A tradução da palavra é controversa. No “Dicionário de palavras de origem indígena”, de Clóvis Chiaradia, Guaiaó significa ‘a casa do caranguejo’ – guaiá: caranguejo, ó: casa. O historiador Francisco Martins dos Santos, em sua obra “História de Santos”, indica que Gohayó é corruptela de Gu-ai-og-gu: recíproco, ai: despegar, abrir, separar, og: cortar, arrancar, sendo que os verbos ai e og aparecem unidos como expressão de ‘separação por força’. O termo refere a ter sido a ilha separada do continente pela força e pressão das águas ou por algum fenômeno sísmico que teria ocorrido muitos séculos antes. O mesmo autor, em outro trecho da obra, revê este conceito e afirma que a palavra vem do hebraico -gua: região, centro, meio, hi: ela, hó: merenda, repasto, graça, benefício. Inicialmente guahihó ou goáhihó (guayhó e goahihó) com o significado de ‘ilha ou lugar do fornecimento, das provisões, das vitualhas’ e, portanto, do apoio às armadas e aos viajantes.

Retrato e bio MARCOS PIFFER

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