REVISTA GUAIAÓ
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UM CAFÉ PARA TODOS

por :  Marcos Piffer
fotografias: José Victor Martins, Thales M de Sá, Mônica Mathias, Tathiane Otero, Thiago Queiróz, Luiz Otávio e Mônica Denari

Procurei uma citação sobre o nosso hábito de tomar “um café” para abrir este texto e encontrei muitas, das mais eruditas às mais simples. Mas, desde sempre, este trecho da música do Eduardo Dusek me captou. É inusitada e descontraída, e representa bem a minha ideia para a edição. O nosso hábito de tomar e oferecer um cafezinho é tão presente que até depois do final do mundo ainda há de querermos fazê-lo.
Muito mais do que a história em si e a importância do café na formação do país, minha intenção foi mostrar que essa tradição do tomar e oferecer café àqueles que chegam em nossas casas e locais de trabalho é totalmente entranhada em nossa forma de ser. E por aí fui mais uma vez conversando com os colaboradores, propondo e amalgamando ideias.
Para não perdermos o link com a origem do café, Søren Knudsen começa sua história lá atrás, na Abissínia, passa pela chegada da primeira muda ao Brasil, pela opulência dos anos 1980 e esbarra numa musa Etíope que transita entre Europa, África e Brasil. Mistério, riqueza, guerras, mulheres. Como sempre, une tudo isso com Arte em UMA HISTÓRIA que merece ser degustada com, ou como, um bom expresso.
Mas falar de café sem falar do peso do seu comércio em nossa cidade, não seria possível. Por isso, Marcus Vinícius Batista foi à campo entrevistar Michael Timm, um dos mais importantes nomes ligados à esta atividade, e que vem de uma família com esta tradição há três gerações. No meio de um dia normalmente conturbado de trabalho, Michael concedeu esta entrevista, para depois ser fotografado aos pés da Bolsa Oficial do Café. O edifício da Bolsa do Café também será o tema do Gino Caldatto que tão bem nos conta a epopeia da sua construção e da consolidação décadas depois como Museu do Café e da cafeteria em seu térreo.
Por aí seguem todos os outros colaboradores. Marcos Denari fala dos cafés sem os quais não consegue viver; Flávio Viegas Amoreira busca na Argentina a ligação do café com a música; e Juan Esteves faz a liga do café com dois ícones da fotografia de todos os tempos: Henri Cartier-Bresson e a cidade de Paris.
Múltipla como sempre foi desde a sua concepção, a Revista Guaiaó traz como de costume novidades a cada edição. Nesta, a jornalista Alcione Herzog escreve além dos textos de sempre, o PERFIL da Cristina Barletta. Cristina, também de uma família tradicional do comércio de café, foi e ainda é a musa de toda uma geração. Excepcionalmente, não temos a presença do Julinho Bittencourt, mas por outro lado temos de volta o José Roberto Torero com um texto como que escrito para encerrar a edição.
No campo das imagens, o FOTO.DOC mostra o que acontece em um dia numa lavoura. O trabalho, o esforço e as esperanças contidas no processo de tirar o café dos pés de café e iniciar o trajeto até nossas xícaras. No SEM PALAVRAS, a presença da artista plástica dinamarquesa radicada em Santos Mai-Britt Wolthers, que criou uma série de imagens especialmente para a revista. Reh Theiss apresenta uma imagem para o poema de Natalia Barros que mais uma vez abre uma edição, e Juan Esteves contribui também com uma fotografia para acompanhar o texto de CINEMA.
Por último, fato inédito para nós, a participação mais que especial de 21 leitores da revista que atenderam o chamado e enviaram imagens de seus cafés. São as imagens que figuram aqui ao lado e na contracapa da revista, e que confirmam a onipresença deste hábito prazeroso que é tomar um simples cafezinho.

 

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