REVISTA GUAIAÓ
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Uma degustação de belas imagens

por Juan Esteves
imagem: Reprodução 

Henry Cartier Bresson

Em À propos de Paris, livro do francês Henri Cartier-Bresson, talvez o mais icônico fotógrafo de todos os tempos, lemos: “Fotografia não é nada! É a vida que me interessa!”. A frase resume muita coisa entre o ato de viver e o de fotografar.

As duas questões se entrelaçam, trasnformando-se no registro fotográfico da existência, entendendo por isso a documentação dos mais simples atos, das pessoas mais comuns, em seus lugares igualmente corriqueiros, o que nos leva diretamente aos cafés parisienses, tão bem registrados por tantos fotógrafos.

O próprio título desse livro exemplar já traz certa simplicidade, na intimidade do autor com a cidade em que morou por décadas. Apesar de ter nascido em Chanteloup-en-Brie, em agosto de 1908 e ter morrido em Montjustin, no mesmo mês, 96 anos depois, Paris sempre foi representada por seu trabalho, e nele, seus cafés.

Poderíamos então, tratar as imagens nos cafés como simples, pois nada mais prosaico do que sentar e tomar a bebida em uma mesa na calçada. Nem tanto, quando nos referimos a H.C-B (como o fotógrafo gostava de assinar) afinal, neles o fotógrafo encontrava André Pieyre de Mandiargues ou André Breton, apenas para ficar nos surrealistas franceses, entre outros intelectuais ou artistas como o malaguenho Pablo Picasso e o suíço Alberto Giacometti.

À propos de Paris, publicado em 1994 na França e em 1998 nos Estados Unidos, traz um percurso deste autor genial pela vida parisiense em diferentes anos, como a igreja de Notre Dame, fotografada em 1953; o Arco do Triunfo, um anos depois; o Louvre visto da Rue de Rivoli, onde o próprio mantinha seu apartamento; ou La Defense, já em 1971.

Também homenageia certos amigos como o escultor Giacometti, em uma imagem de 1961; o fotógrafo americano Richard Avedon, igualmente genial como ele, fotografado em 1951, durante um evento da revista Harper’s Bazaar, ou o então garoto Michel Gabriel, segurando duas garrafas de vinho Magnum em 1952, sorridente pela Rue Mouffetard, uma de suas mais conhecidas imagens.

Ao todo 131 imagens produzidas em Paris, nos intervalos de seus cafés, ou sentado neles. Aqueles cafés em que ele flagra o casal se beijando sobre a mesa; a jovem mulher de minissaia sendo observada pela senhora mais velha enquanto lê seu jornal; e por que não? O próprio H.C-B flagrado pelo fotógrafo turco Ara Guler, a desgustar uma larga taça do venerado líquido extraído da rubiácea.

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