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OS VASTOS OCEANOS DE DOBILET E LINSKER

por: Juan Esteves
imagens: Reprodução

David Doubilet

Roberto Linsker

A fotografia é um meio extraordinário, traz visões múltiplas da mesma realidade e propicia a contemplação de diferentes camadas sobrepostas. Nestes dois livros, Water Light Time (Phaidon, 2000) do americano David Doubilet e Mar de Homens (Terra Virgem, 2006) do brasileiro Roberto Linsker, o sentido é quase literal: um fotografa acima do oceano, e o outro, o que tem por baixo.

David Doubilet tem 68 anos, a maior parte deles passados sob as águas dos mais belos oceanos. Neste livro estão reunidos mais de 25 anos de fotografia que vão das Ilhas Galápagos ao Mar Vermelho e por toda extensão do grande Pacífico. Um apanhado da linda paisagem submersa, sua fauna eclética, flora exuberante que transforma um trabalho essencialmente documental em uma vasta galeria de arte.

Com quase 50 anos, o paulistano Roberto Linsker também é veterano de grandes expedições. Geólogo de formação, antropólogo por afinidade e fotógrafo por decorrência, foi aos 2 anos de idade viver com a família na costa do Mediterrâneo onde ficou por quase duas décadas. Fotografando desde 1987, tornou-se profissional em virtude do registro de suas aventuras, como a primeira expedição genuinamente brasileira ao Everest em 1991. Seu livro é resultado de um trabalho de mais de 8 anos registrando a pesca artesanal na costa brasileira.

As duas publicações reforçam o caráter eclético da fotografia, Doubilet é essencialmente cor e Linsker exclusivamente preto e branco. Também chamam para a proximidade com o documental, bem como com a edição internacional da National Geographic, onde ambos são colaboradores premiados com o Picture of the Year. Em favor do brasileiro, o ineditismo do prêmio para o Brasil e a raridade no meio por ser uma imagem em PB, capa deste livro, feita em 2002 em Bitupitá, no litoral cearense.

A beleza dos cardumes, da fauna multicolorida e das transparências registradas por Doubilet se equivalem à tonalidade monocromática impecável de Linsker, com os belíssimos detalhes que resgatam uma prática da pesca que caminha para o fim. No trabalho destes mestres, tanto a extinção das espécies submarinas como o fim do trabalho justo dos caiçaras, estão resguardados para posteridade. Mais ainda, estimulam a luta pela preservação e pela possibilidade de um legado maior a nossos descendentes.

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