REVISTA GUAIAÓ
  • Editorial

[ Editorial ]

PARA ONDE CAMINHA ESTA CIDADE?

Por: Marcos Piffer

Marcos Piffer

“Uma cidade viva é feita de esquinas, pontos de encontro e gente nas ruas”.
Morte e Vida de Grandes Cidades – Jane Jacobs

Ao começar a escrever este editorial, reli os textos das edições anteriores e pude constatar que em quase todos iniciei com alguma pergunta. Foi interessante perceber que, mesmo não tendo sido intencional, este fato se alinha com o perfil da revista Guaiaó que é o de levantar questões e tentar mostrar possibilidades de respostas.
Esta edição é inteira dedicada à questão urbana, ao crescimento e suposto “desenvolvimento” da cidade, e às consequências em nossas vidas. E realizar isso, no atual momento, onde muitas pessoas se fazem a pergunta que abre o texto, sem gritar nem ser panfletário é realmente difícil. O trânsito piora a cada dia, reflexo de uma política que privilegia o transporte privado. Prédios e mais prédios enormes e de uma arquitetura duvidosa são construídos, sem levar em conta a escala humana ao rés do chão, nem a dimensão das ruas, transformando a cidade num gigantesco canteiro de obras, e como disse Flávio Amoreira tempos atrás, numa “Dubai do brejo”. Mobilidade, ventilação, drenagem, insolação, arborização, ou seja, nossa tão divulgada “qualidade de vida” segue seriamente comprometida…
Interessante é perceber que na história de Santos, outros momentos poderiam ter ensinado que este “tipo” de crescimento não serve a um verdadeiro desenvolvimento. Se voltarmos à época da construção da barreira de edifícios de 16 andares na orla da cidade, nos anos 1960, teríamos aprendido que este ato comprometeu a ventilação geral do miolo da cidade, entre outras muitas consequências danosas. Se retornarmos mais ainda, no início do século passado, e analisarmos o plano de urbanização criado por Saturnino de Brito e antes dele por Estévan Fuertes, veremos que nossa cidade poderia ter tido um destino muito melhor que o de hoje. E é exatamente isso que, com a habilidade de sempre, Søren Knudsen foi escavar e nos mostra no excelente texto Cidade Desnuda. Como diz a Alcione Herzog, o texto é “delicioso e necessário”! Para acompanhá-lo, pela segunda vez, criei especialmente um ensaio fotográfico que o persegue lado a lado, contribuindo para desnudar ainda mais a nossa cidade…
Como tem acontecido nas últimas 3 edições, todas as outras sessões se alinham a este tema. Da Música ao Cinema, da Fotografia à Gastronomia, do Patrimônio ao Perfil. Abro novamente esta edição com um breve, mas profundo Ensaio da Natalia Barros. Como novidade, temos um Depoimento do
Paulo von Poser apresentando a entrevista que vem a seguir com o arquiteto
Paulo Mendes da Rocha. Na entrevista, Mendes da Rocha faz também uma série de advertências acerca do momento que nossa cidade passa.
Temos ainda uma participação mais do que especial do Luiz Monforte. Santista, radicado em São Paulo, faltaria aqui espaço para descrever o artista que o Luiz é. Gostaria de ter tido possibilidade de destinar mais espaço ao seu trabalho magistral, mas infelizmente só foram possíveis as 8 páginas do Sem Palavras. Espero poder contar sempre com a sua participação na revista.
Esta edição demorou mais do que o costume para chegar propositalmente. Por uma série de motivos, a minha intenção é lançar a primeira edição de 2014 somente no final de março. Para isso, estiquei um pouco o lançamento desta última de 2013. Assim, o hiato não será tão grande.
Dois anos se passaram e chegamos à Guaiaó 06. Muitas ideias, histórias, personagens e novidades estão por vir para o próximo ano. Até lá!

Voltar ao topo