REVISTA GUAIAÓ
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[ Field Notes ]

Sala de Leitura – Sociedade Humanitária

Por: Søren Knudsen
Fotografia: Marcos Piffer

Sociedade Humanitária - Biblioteca
O senhor da janela levanta o olhar e entoa um “bom dia”,
Abre o jornal, um caderno de cada vez, e lentamente aprecia as páginas.
Peço para ver o Plano de Drenagem de 1895 de Fuertes e Hering.
Com passos lentos sai das estantes, escondido, receoso,
Esquecido, guardado e rasgado.
A luz do dia o reanima e o plano começa a contar
Com imagens, com promessas, com precisão,
Sobre uma cidade vibrante,
A cada planta um ar de alívio, uma surpresa.
Majestoso o plano se apressa a falar,
De inovação, de vida, de alegria, de promessa.
Sem palavras o senhor grisalho dobra o jornal, sinaliza um “até amanhã”.
A porta para o passado fecha-se lentamente,
O brilho das páginas apaga-se.
A capa comida por cupins, manchada pela água.
Cem anos para que pudesse mostrar
As suas maravilhas mais uma vez.
Na Sala de Leitura da Humanitária o tempo parou.
Seus fantasmas sentados na mesa ao lado da janela.
Junto com tantos outros, Fuertes e Hering acenam da estante:
“Até amanha?”

Sala de Leitura – Sociedade Humanitária

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