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Pindorama, a rua

Por: Marcos Denari
Fotografia: Marcos Piffer

Rua Pindorama Marcos Denari

Foi por ali que iniciei minhas incursões degustativas e por ali me refugio. Ponto de encontro certo, com comida e bebida da melhor qualidade, os bares da Rua Pindorama, mais do que um destino, são o meu parâmetro. Quando não quero arriscar, sei aonde ir.
Bem que a minha mãe falava: “cuidado com as amizades…” E claro, através delas, dos meus velhos amigos do Náutico Praia Clube, conheci o bar do “seo” Manolo que acabou ficando conhecido como “Bar do Maresia”, nome do jovem e lépido copa que hoje tem seu próprio negócio na rua. Era para lá que íamos após a pelada de sábado, e foi ali que conheci as figuras mais intrigantes e interessantes de Santos. O forte era a cerveja, mas tinha uma batidinha de amendoim que o Maresia fazia (e que ainda serve em seu bar) que caía muito bem para dar uma quebrada na cevada. Se bem que eu sempre começava a rodada com um belo copo de groselha (Primavera, é claro) com soda limonada. E para petiscar? Nada além de mortadela fatiada com pão e limão. Um luxo.
O saudosismo também me traz à memória o Vasquez, com seu vasto cardápio típico da cidade, onde meu prato preferido, sugerido e quase sempre dividido com meu Grão-Mestre e amigo Carlos Eduardo Mesquita, o Mesquitinha, era a pizza de frutos do mar. Ali a noite começava. Ponto obrigatório de passagem, de concentração e de encontro da moçada da época e de onde partíamos para as noitadas. Outra opção maravilhosa, algumas portas antes, era o Bar do Bimbo com a melhor e a mais gelada cerveja que Santos já teve. Claro, com o cuidado que o próprio Bimbo tinha em deitá-las e molhá-las com um borrifador dentro das geladeiras balcão um dia antes, não podia ser de outra forma: todas vinham com aquela crosta de neve por fora e no ponto certo para não congelar o seu néctar… Ah! Velhos tempos…
Destes três lugares, a única coisa que sobrou foi o Maresia, que abriu o Embalos a uma quadra antes da praia. Sempre presente e com suas belas e competentes “Marisetes”, hoje, o Maresia oferece uma mistura de quase tudo que um bar/restaurante pode ter. De cuscuz de camarão a carne seca, de porção de amendoim a filé à parmegiana. E além da cerveja em garrafa grande, o Embalos se diferencia pela descontração, boa comida e mesas animadíssimas. Nossa criançada adora as “drumetes” (coxinha e asinha de frango fritas com alho). Já as mães, deliciam-se nas porções de lula, de iscas de peixe e de frango. E eu com a minha adorável batidinha de amendoim… Um delírio…
Porém, o forte mesmo da rua é a Darci Mercki e os seus três bares: sucesso, competência e qualidade (o Heinz, o Armazém 29 e o Paulistânia, respectivamente).
A Darci vai virar uma lenda, sem dúvida. Se abrir e manter um “bom” bar é algo dificílimo, ter três bares “excelentes” e lotados é o que? E ela conseguiu. E assim os mantém, sempre aparecendo sorrateiramente na retaguarda e recebendo os amigos. Na verdade, parece que ela se diverte tanto ou mais que os fregueses…
Eu vario de um a outro conforme o paladar e o momento me solicitam.
No Heinz é até redundante elogiar seu chope (só ontem foram 8) e seus pratos são algo muito especial. Seu salão, tradicionalmente mantido, parece que foi projetado pelos Deuses do Olimpo para se tomar chope. E depois que a Darci ampliou o bar se debruçando para a calçada, o ambiente se completou de vez. Além dos tradicionais e saborosíssimos salsichão e joelho de porco à pururuca, seu cardápio oferece toda a variedade da cozinha alemã com algumas surpresas como o tostex (um misto quente maravilhoso) e o concorrido caranguejo, servido nos almoços e tardes de finais de semana. Também já saboreei um cabritinho nas internas uma vez que foi de ajoelhar no chão… Mas, com tudo isso, eu mesmo sempre começo a rodada com o “canapé de rosbife” regado com muito molhinho de cebola. E dá-lhe chope…
Dali, atravessando a rua, onde funcionava o antigo bar do Manolo, a Darci montou este que é sem dúvida o bar que melhor reflete o que é o santista. Descontraído com seus ombrelones e apertadinho na medida certa, por ali convivem praianos de maiô e chinelo havaiana com madames vestindo Chanel. O “Armazém 29”, provavelmente, lançou em Santos a mistura de frutas com gengibre nas caipiroskas. Imbatíveis! Sua cozinha é soberba. O cuscuz é perfeitamente no ponto, seus pratos e porções extremamente bem preparados e distintamente temperados. Do peixe porquinho frito aos risotos tudo é muito bom. O meu prato preferido é o camarão à Levy… Até salivei…
E finalmente, o filho mais novo da Darci, o “Paulistânia Café” que achávamos que ficaria só com a sobra dos outros dois, hoje é disputado mesa a mesa nos almoços de fim de semana, com uma cozinha muito parecida com a do Armazém, mas se completando com ótimos sanduíches e carnes surpreendentes. Por lá, meus velhos amigos do Náutico ainda se reúnem para falarmos mal dos outros, relembrarmos os velhos tempos e resolvermos todos os problemas da cidade e do País.
Enfim, mesmo depois de tanto tempo, a Pindorama continua sendo um dos principais pontos de encontro
da cidade, praticamente um bar a céu aberto, de frente para a praia, e de onde se avista o mar. É um lugar para quem quer ver e ser visto, beber e comer muito bem e onde sempre há um amigo para dividir uma mesa e um bom papo.
Nos vemos por lá!

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