REVISTA GUAIAÓ
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GUAIAÓ – QUESTÕES

Por Marcos Piffer

“Também (um povo) novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma
gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existiam.”
O povo brasileiro – A formação e o sentido do Brasil – Darcy Ribeiro

Tia Antonia_GUAIAÓ 03

Tia Antonia na sala da sua casa.

 

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? As eternas questões que nos assombram estão presentes no dia-a-dia da Guaiaó. Não só nesta edição, mas nas anteriores e, certamente, nas que ainda estão por vir. O que a nossa Santos tem de mais cosmopolita e de mais provinciana? Tentamos mostrar tesouros escondidos nos cantos da cidade, na esperança de respostas ou, pelo menos, caminhos.

No terceiro número, em particular, ficamos entusiasmados com a proposta de mostrar o quanto de sangue negro temos em nossas almas. O quanto a cultura importada há séculos do continente africano está entranhada nas nossas maneiras tão alvas de expressão. Será que, de tão assimilada, nem nos damos conta de tamanha influência? Será que fingimos que não a vemos? É essa ideia que permeia quase todas as matérias preparadas para a nova edição.

Søren Knudsen, como sempre, apresenta descobertas preciosas que revelam histórias da nossa cidade e da nossa região. Ao seu relato unem-se textos primorosos dos colaboradores fixos da revista, todos garimpeiros da cultura caiçara, atlântica, negra ou não.

Com grande satisfação, a revista oferece aos seus leitores uma amostra da arte do baiano Mário Cravo Neto. Uma de suas imagens – pequeno fragmento de uma existência criativa, pessoal e profunda – ilustra magistralmente o belo texto de José Roberto Torero. Cravo Neto, infelizmente, já é falecido, mas seu trabalho figura como um dos maiores e mais importantes da fotografia brasileira contemporânea. A autorização para publicarmos a imagem foi uma gentileza do seu filho Christian Cravo, também um grande nome da fotografia, que esperamos um dia ter aqui em nossas páginas.

Destacamos também a participação especial do artista plástico Maurício Adinolfi. Desde o primeiro momento em que li o texto sobre o disco “Refavela”, de Gilberto Gil, assinado por Julinho Bittencourt, a imagem da sua intervenção no bairro do Dique me veio à mente. Maurício entra nesta edição apenas com uma imagem da sua obra na periferia da cidade, mas virá em breve povoar as páginas da seção SEM PALAVRAS com seu emocionante trabalho.

Aproveitamos para informar aos nossos leitores que a GUAIAÓ 3 traz mudanças importantes. A partir de agora, deixamos de antecipar o conteúdo da edição seguinte como vínhamos fazendo. O anúncio da pauta tinha como objetivo exibir a continuidade de um projeto que veio para ficar, mas com o sucesso das edições anteriores e o retorno dos nossos leitores, optamos por guardar segredo até o dia do lançamento.

A segunda e mais significativa é uma providência para o futuro. Estamos buscando a certificação ambiental para a revista e, por isso, mudamos o tipo de papel usado na impressão. Abrimos mão do brilho sofisticado e do toque suave para que a Guaiaó fosse rodada em um material ambientalmente amigável, sem prejuízo da qualidade. Fizemos a troca com total segurança porque, apesar da relação recente, a equipe da Guaiaó já conhece muito bem o seu público.

Sejam bem-vindos às páginas seguintes!

PS: O que dizer do lançamento da edição nº 2, no Bar Heinz, em maio passado? Juntamos amigos, leitores, admiradores da GUAIAÓ. Lotamos o bar, paramos a rua. A festa se estendeu até a virada da noite. Que venham outras assim!!!

Lançamento GUAIAÓ 03_Bar HeinzLançamento GUAIAÓ 03_Bar Heinz_Cristiano Mascaro

Aproveitamos para informar aos nossos leitores que a Guaiaó 03 traz uma mudança conceitual importante. A partir desta edição, deixamos de antecipar o conteúdo do número seguinte como vínhamos fazendo mostrando as capas da edição seguinte. O anúncio da pauta tinha como objetivo exibir a continuidade de um projeto que veio para ficar, mas notamos que estávamos servindo de fornecedores de ideias para outros veículos de comunicação. Neste momento já estamos com a edição 04 integralmente definida e trabalhando na edição número 05. Os assuntos? A partir de agora, somente quando forem lançadas!

Entre outras surpresas, Marcos Denari descobre onde se escondia a Tia Antônia das inesquecíveis feijoadas da Marechal Deodoro.

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